Bactérias, vírus e fungos: por que o tratamento muda de acordo com o agente causador?

Especialista explica por que antibióticos não combatem infecções virais e fungos, alerta para os riscos da automedicação e destaca a importância do diagnóstico correto para a escolha do tratamento

Febre, tosse, dor de garganta e mal-estar estão entre os sintomas que levam muitas pessoas a procurar medicamentos para aliviar os sintomas. No entanto, nem toda doença tem a mesma origem e podem ser tratadas da mesma forma. Bactérias, vírus e fungos podem causar problemas de saúde de diversas naturezas e apresentarem até sintomas comuns, porém, por terem características distintas na sua estrutura, respondem a medicamentos específicos. Por isso, saber a origem do problema é fundamental para definir o tratamento adequado. Utilizar antibióticos sem indicação profissional, especialmente em casos de gripe e resfriado, por exemplo, pode não combater a causa da doença e trazer riscos à saúde.

Compreender as diferenças entre esses microrganismos ajuda a explicar por que não existe um único medicamento para todas as infecções. “Bactérias, vírus e fungos são diferentes na estrutura e na maneira como se multiplicam. As bactérias são células que possuem metabolismo próprio. Já os vírus precisam das nossas células para se multiplicarem. Os fungos possuem uma organização celular mais complexa. Saber qual deles está causando a infecção é importante porque o tratamento não é o mesmo”, explica Cristiane Monteiro, coordenadora de Biomedicina da Afya Unima, curso que foi eleito pelo Ranking Universitário da Folha 2026 em 1º lugar entre as instituições de ensino superior privadas de Maceió em qualidade de ensino.

Ela conta, ainda, que os antibióticos atuam sobre estruturas ou processos essenciais das bactérias, como a formação da parede celular e mecanismos necessários à sobrevivência desses organismos. Os vírus, por sua vez, não apresentam essas mesmas estruturas e utilizam as células humanas para se multiplicarem. Essa diferença biológica explica por que medicamentos desenvolvidos para combater bactérias não eliminam os vírus responsáveis pela gripe, pelos resfriados e por outras infecções virais, e vice-versa.

“Os vírus não possuem essas mesmas estruturas e dependem das nossas células para se multiplicarem. Por isso, quando alguém está gripado ou resfriado, tomar antibiótico não vai combater o vírus”, ressalta Cristiane Monteiro. Em determinadas infecções virais, podem ser indicados antivirais, mas a necessidade de tratamento específico depende da doença, das condições do paciente e da avaliação profissional.

Por sua vez, as infecções fúngicas também apresentam características próprias e podem variar de problemas comuns, como micoses na pele e nas unhas, a quadros graves, especialmente em pessoas com a imunidade comprometida. Para combatê-las, são utilizados medicamentos antifúngicos, que atuam sobre componentes específicos dos fungos, como o ergosterol, presente na membrana celular desses organismos.

A escolha do medicamento depende da identificação ou da suspeita clínica do agente envolvido, da região afetada e das condições de saúde do paciente. Segundo a biomédica, o uso de antibióticos sem necessidade não representa apenas um gasto desnecessário com medicamentos. Essa prática contribui para que o organismo desenvolva resistência e as bactérias passam a não responder mais à ação de medicamentos que antes eram eficazes. Como consequência, infecções futuras podem se tornar mais difíceis de tratar. O uso inadequado desses medicamentos também pode provocar outras reações. “Além de dificultar o tratamento de outras infecções quando houver necessidade, a pessoa pode apresentar alergias, diarreia e alterações na microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que desempenham funções importantes no organismo”, alerta a coordenadora.

A especialista reforça, ainda, que um medicamento receitado em um certo momento não deve ser reaproveitado automaticamente diante de novos sintomas, já que a origem do problema pode ser diferente.

O papel dos exames – Manifestações como febre, tosse e dor de garganta, comuns em diversas situações entre pessoas de todas as faixas etárias, podem ser provocadas por diferentes microrganismos. A avaliação para identificar o agente causador começa pela análise dos sintomas, do tempo de evolução da doença e das condições clínicas do paciente.

Nem todos os casos exigem confirmação, mas os exames podem ser fundamentais quando há dúvidas diagnósticas ou necessidade de direcionar a conduta terapêutica. “Dependendo da suspeita, podemos utilizar exames laboratoriais, como culturas, testes moleculares, sorológicos e microscopia. Esses exames ajudam a identificar o agente e a orientar a escolha do medicamento”, explica Cristiane.

Febre persistente, dor intensa, dificuldade para respirar, piora dos sintomas ou alterações importantes no estado geral são sinais que exigem avaliação profissional. “Nem toda febre significa infecção bacteriana e nem toda infecção precisa de antibiótico. Muitas pessoas tomam medicamentos por indicação de conhecidos ou porque já utilizaram antes e melhoraram. Só que cada situação é diferente”, orienta a professora.

Dificuldade intensa para respirar, confusão mental ou piora rápida justificam atendimento imediato. Crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade comprometida também merecem atenção especial. A principal recomendação é evitar a automedicação e procurar um profissional de saúde para avaliar os sintomas e indicar a conduta adequada. O diagnóstico correto e o uso responsável dos medicamentos ajudam a reduzir complicações, evitar efeitos adversos e combater a resistência bacteriana.

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