Crescer sem estrutura custa caro: os desafios da transição de porte nas empresas

Expansão acelerada expõe falhas em gestão, pessoas e processos e exige ajustes estratégicos para sustentar o crescimento

O crescimento de empresas médias para um novo patamar tem revelado desafios que vão além da expansão de receita. Experiências recentes mostram que a falta de preparo estrutural, especialmente em gestão de pessoas e processos, pode comprometer resultados e até frear a trajetória das companhias. Casos como o da BTB Soluções e da Contabilidade Facilitada evidenciam que crescer rápido sem organização adequada tende a gerar perdas financeiras, retrabalho e necessidade de correção de rota.

A trajetória da BTB Soluções ilustra, na prática, os desafios de uma empresa em transição de porte, especialmente em processos acelerados de expansão internacional. Segundo Bruno Gomes, CEO da companhia, o crescimento foi alavancado pela demanda dos próprios clientes, o que exigiu decisões rápidas e, muitas vezes, pouco estruturadas. 

“A gente foi resolvendo os problemas conforme eles apareciam. Não era possível montar toda uma estrutura antes de ter a demanda”, afirma o executivo. A questão, comum em empresas em expansão, trouxe aprendizados, principalmente na organização interna e na capacidade de execução em novos mercados.

“Contratamos muitos profissionais de mercado, mas sem tempo de adaptação à cultura e ao negócio. Esse processo gerou um custo elevado, de cerca de R$ 2 milhões, e teve impacto direto na operação. A tentativa de estruturação e profissionalização acelerada gerou um desgaste interno e externo. A gente precisou parar e organizar. Com o olhar voltado para dentro, treinamos o time  para crescer de forma mais sustentável”, comenta Bruno. 

Diante do cenário, a estratégia de ajuste da BTB incluiu foco na base de clientes, retomada do trabalho presencial e investimentos em processos e certificações. Como reflexão, o executivo destaca que o crescimento exige equilíbrio entre velocidade e estrutura. “Não adianta crescer sem estar preparado. Hoje, a gente prefere crescer no ritmo certo, contratando com cuidado e dando tempo para as pessoas se desenvolverem”, diz.

Com operações em países como Argentina, México, Colômbia, Chile, Panamá e Costa Rica, além do Brasil, a companhia atingiu o faturamento de R$ 25 milhões em 2025. 



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