Consórcio Nordeste lança campanha regional em defesa da vida das mulheres

O Consórcio Nordeste lança, neste mês de março, a campanha “Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher – Prevenir é agir. Proteger é fortalecer. Responsabilizar é transformar”. A iniciativa integra os nove estados da região em um pacto para proteger a vida de mulheres e meninas, reforçando o papel do Consórcio como articulador de políticas públicas integradas.

O objetivo é fortalecer as redes estaduais de proteção, ampliar o acesso a canais de denúncia, estimular a identificação precoce de sinais de abuso e, sobretudo, engajar ativamente os homens e a sociedade na responsabilidade preventiva.

“O Nordeste se une ao pacto nacional para proteger a vida das mulheres. Esta campanha não será restrita apenas a datas pontuais. Ela é o marco inicial de uma ação contínua que busca ampliar o potencial das nossas vozes e ações para interromper o ciclo de violência contra a mulher, trazendo mais informações, ampliando nossa rede de proteção e, especialmente, atuando para mudar a cultura predominante em nossa sociedade, pois não podemos mais normalizar comportamentos abusivos”, afirma Paulo Dantas, presidente do Consórcio Nordeste e governador de Alagoas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o número de feminicídios no país vem aumentando. Em 2025, o Brasil registrou 1.548 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia. Na Região Nordeste, foram 425 vítimas de feminicídio no ano passado, uma mulher assassinada a cada dia. 

O cenário em 2026 já apresenta novos registros confirmados, só de janeiro a fevereiro, o sistema mostra que 33 mulheres foram vítimas de feminicídio na região Nordeste. Dado que reforça a urgência de uma resposta contínua e regionalizada.

“Os dados da violência contra a mulher mostram que a agressão vem, predominantemente, de alguém do sexo masculino, e nossa campanha traz um recorte importante de diálogo com os homens. Estamos chamando-os para que saiam da neutralidade e assumam seu papel nessa desconstrução cultural, pois só com a responsabilização e o engajamento de toda a sociedade iremos conseguir vencer a misoginia e proteger a vida das nossas mulheres e meninas”, destaca a coordenadora da Câmara Temática de Mulheres do Consórcio Nordeste e secretária de Mulheres da Paraíba, Lídia Moura.

O Consórcio Nordeste entende que o enfrentamento à violência exige ações conjuntas e utiliza sua expertise de articulação regional para unificar as narrativas e potencializar as políticas públicas que os estados já desenvolvem individualmente. Com a campanha, a mensagem será amplificada e as ações de proteção irão se tornar mais efetivas em todo o território nordestino, potencializando o impacto regional no enfrentamento à violência de gênero.

A campanha “Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher” está estruturada em três eixos: 

Previnir é agir – com ações de informação e orientação;

Proteger é fortalecer – com a divulgação de canais, rede de proteção e políticas públicas;

Responsabilizar é transformar – com ações de mobilização direcionadas à sociedade e aos homens.

Prevenção e identificação precoce

A violência contra a mulher é um fenômeno estrutural, persistente e de alta complexidade que não começa no feminicídio; ele é o desfecho de um ciclo de controle, ameaças, humilhações e agressões psicológicas, que escalam para agressões corporais e passam por descumprimento de medidas protetivas.

A campanha foca em ajudar as mulheres a identificar esses sinais precocemente, informando sobre direitos e locais de acolhimento para interromper o ciclo antes que ele resulte em uma violência física.

Mudança de cultura e responsabilização

Os dados sobre violência de gênero mostram que a maioria dos autores são homens e, entendendo que a violência de gênero é uma questão pública e coletiva, um dos pilares centrais da ação é o diálogo direto com o público masculino. A estratégia da campanha busca estimular uma mudança cultural, incentivando os homens a assumirem sua responsabilidade social na prevenção e a não normalizarem comportamentos abusivos, em combate ao machismo estrutural.

Do digital ao território

Além da forte presença nas redes sociais, a mobilização terá um Eixo Territorial. Cada estado realizará ações presenciais, como mutirões de atendimento jurídico e psicossocial, rodas de conversa sobre envolvimento masculino e atividades educativas em escolas e universidades. O objetivo é levar a rede de proteção para além do ambiente digital, alcançando as comunidades de forma direta.



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